Machucado pelo envolvimento no escândalo do mensalão, de um ano para
cá o banco BMG vem passando por uma plástica completa. Primeiro,
tornou-se sócio do Itaú numa nova instituição, focada no crédito
consignado. Na sequência, a família Pentagna Guimarães saiu de cena e
contratou dois executivos de nome no mercado para tocar o banco. Agora, a
última etapa da mudança de identidade: depois de 80 anos em Belo
Horizonte, o BMG muda sua matriz para São Paulo.
O BMG escolheu um dos edifícios de escritório mais imponentes da
cidade, na avenida Brigadeiro Faria Lima, ao lado dos bancos mais
importantes do País. Quer se apresentar ao público e ao mercado como uma
empresa renovada, voltada para o futuro e distante daquele banco que
teve problemas com a Justiça por conta da ligação com o PT e com as
empresas de Marcos Valério.
A partir de São Paulo, o BMG pretende se lançar num projeto de
diversificação. A meta é pular, no espaço de três anos, do 13.º para o
10.º lugar no ranking dos bancos – medido pelo volume de operações de
crédito. Para isso, a instituição, que é líder no segmento de crédito
consignado entre os bancos privados, vai apostar em outras três frentes:
empréstimos a empresas, cartões de crédito e financiamento
habitacional.
“Crescer no ranking não é fácil, sabemos disso. Tem muita gente forte
na frente e outro grupo logo atrás querendo nos ultrapassar “, afirma
Antonio Hermann, presidente do banco contratado em novembro do ano
passado, quando os controladores decidiram profissionalizar a
instituição.
Junto com ele chegou Alcides Tápias, um dos executivos mais
respeitados do mercado e ex-ministro do governo Fernando Henrique
Cardoso, para presidir o conselho de administração do BMG.
Lucro. Até agora, o plano traçado pela instituição parece caminhar bem.O banco anunciou lucro de R$ 223 milhões no segundo trimestre do ano,
seu recorde para o período. A associação com o Itaú abriu as portas de
outras instituições, o que ajudou a reduzir o custo de captação do BMG –
o drama de todo banco de médio porte. A própria mudança para São Paulo,
que já estava nos planos desde a profissionalização, foi antecipada em
cerca de seis meses graças a um negócio de ocasião, provocado pela
derrocada de um concorrente.
A nova sede foi montada em um andar e meio do Pátio Victor Malzoni,
um dos prédios de escritórios mais caros de São Paulo, onde já estão o
banco de investimento BTG Pactual e o Google. Esse imóvel estava alugado
para o banco BVA, que já tinha tudo pronto para mudar quando sofreu
intervenção e depois foi liquidado pelo Banco Central.
O BMG alugou a área e comprou os móveis, os computadores e todos os
aparelhos deixados para trás pelo BVA. Ali serão acomodadas cerca de 600
pessoas, até então instaladas em Belo Horizonte e na filial de São
Paulo, na região da avenida Paulista. “Estamos melhorando a estrutura e
agora vamos desenvolver outras atividades”, afirma Tápias.
Planos. Das três apostas para o futuro, a operação no segmento de
financiamento habitacional é a única que vai começar do zero. No ramo de
cartão de crédito consignado (com desconto direto na folha de
pagamento), o banco já tem uma carteira de R$ 1 bilhão e cerca de 700
mil usuários, e pretende dobrar esses números até 2015.
E a expansão da operação de empréstimo a empresas, que já era
tradicional no banco, começou pelo avesso. Essa carteira passou por um
processo de depuração, que reduziu seu volume de R$ 2,5 bilhões para US$
1 bilhão. “Agora essa carteira está sadia e pronta para crescer. Mas
sem pressa, porque a situação (da economia) é delicada”, afirma Hermann.
A meta é chegar aos R$ 3,5 bilhões em financiamento a empresas até
2015.
Para um banco que até o meio do ano passado estava sendo negociado
com o Bradesco e com o BTG Pactual, é um progresso e tanto. A família
Pentagna Guimarães queria continuar no negócio, mas enfrentava uma crise
de liquidez que também afetava outras instituições de médio porte. Foi
aí que surgiu o Itaú, com uma proposta diferente: em vez da compra,
ofereceram uma parceria.
A intermediação foi feita por Hermann e Tápias, que são sócios numa
empresa de consultoria. Essa parceria tornou-se a âncora da tentativa de
reinvenção do BMG. “Está dando certo. É gostoso ser sócio do Itaú”, diz
Hermann.
(
Por: David Friedlander )
Fontes: Blog Televendas/ O Estado de São Paulo ( por Afonso Bazolli ) -15/01/2014
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